A luta do ciúme
Domingo, 8 de Janeiro de 1978
Hoje, por fim, estive com a Lina.
Depois do que aconteceu ontem, sinto que podia ter deitado por água abaixo tudo aquilo por que tanto tenho trabalhado. Cheguei perto de estragar uma coisa que para mim é demasiado importante. Mas valeu a pena arriscar.
Talvez eu dramatize um pouco as coisas. Talvez faça parte da minha maneira de viver aquilo que sinto com tanta intensidade. E, se assim é, não me preocupa demasiado. Quem me tenta perceber é que terá de decidir quanto há de drama e quanto há de verdade em tudo aquilo que digo e sinto.
Depois, há aquela frase que fica comigo:
«Amo-te, Toni.»
Que mais posso eu desejar de uma pessoa tão adorável?
Há dentro de mim uma luta constante para vencer o ciúme. Não é uma luta fácil. O ciúme aparece, instala-se e começa a alimentar dúvidas que nem sempre têm razão de existir. Tenho de lutar contra ele porque sei que, se o deixar crescer, pode destruir aquilo que mais quero preservar.
Hoje consigo vencê-lo.
Consigo porque confio nela e porque sei que ela confia em mim. É isso que é necessário. Não há outra maneira de construir alguma coisa entre duas pessoas. Se não houver confiança, qualquer dúvida ganha força e qualquer receio pode transformar-se numa ameaça.
Talvez seja esta a verdadeira questão que hoje compreendo melhor. Não basta gostar muito de alguém. É preciso confiar nessa pessoa e aceitar que nem tudo pode ser controlado.
Eu quero a Lina perto de mim. Quero aquilo que temos. E, para que isso continue a existir, tenho de aprender a dominar aquilo que tantas vezes me perturba.
Hoje, depois de tudo, fico com a certeza de que valeu a pena arriscar.
E fico também com as suas palavras.
«Amo-te, Toni.»
Por agora, não preciso de mais nada.
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