Minha prisão e meu túmulo
Quarta-feira, 17 de Maio de 1978
Nem sempre a minha vida foi um troço de uma estrada, um esgoto.
Já convivi com príncipes e princesas.
Já me deleitei nos seus leitos cor de malva, nos seus corpos nus e cadavéricos.
Já tive o prazer de fazer doer forte a esses miseráveis ratos de campo e a essas doninhas pestilentas.
Nada melhor do que ser vagabundo e não pagar impostos.
Em tempo de fome vai-se para a prisão, onde os nossos desejos de tecto e cama são satisfeitos.
Ninguém mais do que eu conhece este país.
Minha prisão e meu túmulo.
Não há buraco onde não tenha dormido, nem estrada onde não tenha passado.
Sou feliz…
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