Morte de alguém…
Quarta-feira, 10 de Maio de 1978
Há dias em que a morte é só uma palavra. Hoje não.Por fim morreu, perdeu todo o sentido de viver, deixou este mundo em troca do vale de sombras, já não tem preocupações, mas tem uma vida eterna.
Deixemo-lo no seu sono, dormir uma paz calma e duradoura, esqueçamos os que a dormir o mataram.
Julgando assim o seu juízo final, tornaram a morte numa morte imorredoura.
Por onze buracos se escoou a vida de um tirano que os atraiçoava.
A sua morte foi devido a um erro de parte a parte e com um tiro tão certeiro, que o alvo não fugia. Uns seguravam a arma e os que o seguiam o feriram no mais fundo dos corações.
A justiça foi feita.
A morte de alguém anónimo não precisa de apresentação ou explicação. Digamos que foi um homem que morreu. Podia ser de um homem deixou de viver e que ainda não morreu. Podia ser de uma parte de mim que morreu, ou que eu queria que morresse.
Há dias em que a morte é só uma palavra. Hoje não. Hoje é uma coisa que se sente, mesmo quando não há ninguém para morrer. E quando se sente, escreve-se. Depois fica-se com o que se escreveu e não se sabe o que fazer com ele.
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