Preso por uma imagem
Terça-feira, 14 de Fevereiro de 1978
Hoje vi a Lina.Foi de passagem. Ela fez um gesto, pode ter sido para parar o trólei, ou pode ter sido para me dizer adeus. Não sei. Fiquei sem saber.
Se era para me acenar, então agradou-me. Se não era, continuo preso à mesma coisa.
Sinto-me preso por uma imagem
que ainda perdura.
É simples como o vento que leva tudo,
menos a amargura.
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Um homem
que não sente,
que não vê a vida a correr,
se é homem,
mente.
Nem animal é,
porque o animal
tem a vida até morrer,
e se morre
é porque sente.
A vida é um correr
para a morte.
Não morrer
é viver eternamente.
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Viver, amar e morrer.
São estes os meus princípios.
Não sei se são bons,
se são os certos.
Sei que são meus.
Hoje não sei se ela me viu. Sei que eu a vi. E que isso, por agora, é o que tenho.
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