Preso por uma imagem

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 1978

Hoje vi a Lina.

Foi de passagem. Ela fez um gesto, pode ter sido para parar o trólei, ou pode ter sido para me dizer adeus. Não sei. Fiquei sem saber.

Se era para me acenar, então agradou-me. Se não era, continuo preso à mesma coisa. 

Sinto-me preso por uma imagem 
que ainda perdura. 
É simples como o vento que leva tudo, 
menos a amargura.
-------------------------
Um homem 
que não sente, 
que não vê a vida a correr, 
se é homem, 
mente. 
Nem animal é, 
porque o animal 
tem a vida até morrer, 
e se morre 
é porque sente. 
A vida é um correr 
para a morte. 
Não morrer 
é viver eternamente.
-------------------------

Viver, amar e morrer. 
São estes os meus princípios. 
Não sei se são bons, 
se são os certos. 
Sei que são meus.

Hoje não sei se ela me viu. Sei que eu a vi. E que isso, por agora, é o que tenho.


Comentários