Saudades

Sexta-feira, 6 de Janeiro de 1978

Já estou com saudades da Lina.

Passo os dias aborrecido. Tudo me incomoda, tudo me enerva, e começo a perceber que este estado de espírito não me leva a lado nenhum. Quanto mais me irrito, mais me enervo, quanto mais me deixo dominar pelo aborrecimento, pior fico.

Mas que ganho eu com isso?

A pergunta é simples, mas não encontro nela uma resposta que me agrade. Sei que estou a alimentar aquilo que me faz mal e, mesmo assim, parece difícil sair desse estado. A ausência da Lina torna os dias mais vazios e, quando isso acontece, qualquer coisa parece suficiente para me incomodar.

Agora estou ainda mais «lixado».

E há outra preocupação para amanhã. Tenho de ir com o meu pai ao cinema. Só que eu quero estar com a Lina. Começo, por isso, a pensar se conseguirei arranjar uma boa desculpa para não ir.

É estranho como uma coisa tão simples pode ocupar tanto espaço dentro de mim.

Quero apenas estar com ela.

E talvez seja precisamente por querer tanto esse encontro que hoje tudo o resto me parece ainda mais aborrecido.


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