Um novo kimono

 

Segunda-feira, 12 de Dezembro de 1977

Este foi um dia cheio de expectativa para mim. Recebi dois exercícios e ainda tive de fazer um. Havia qualquer coisa de especial nessa espera e nessa inquietação que me acompanhou durante o dia, como se estivesse sempre a contar o tempo até chegar ao momento em que as aulas terminassem.

Quando finalmente terminaram, tratei ainda de alguns afazeres e fui comprar um kimono. A compra acabou por ser o ponto alto do dia. Havia satisfação naquele momento, talvez pela novidade, talvez pelo significado que aquele kimono tinha para mim. Era mais uma coisa que passava a fazer parte da minha vida, ligada àquilo que eu gostava e à disciplina que me acompanhava há já algum tempo.

No regresso a casa vi a Lina.

Vi-a, mas não saí ao seu encontro.

O receio de encontrar o pai dela foi mais forte do que a vontade de me aproximar. Fiquei com a distância entre nós, apesar de a ter diante dos olhos. É estranho como, por vezes, basta a possibilidade de alguém aparecer para transformar um encontro que poderia ser simples numa decisão difícil.

Hoje, ao escrever isto, percebo que já não bastava querer estar com a Lina. Havia agora qualquer coisa à nossa volta que condicionava os nossos encontros, que me fazia pensar antes de agir e que começava a pesar até nos momentos em que ela estava tão perto.



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