Um sorriso inesperado
Quinta-feira, 12 de Janeiro de 1978
Hoje aconteceu uma coisa que não estava à espera de acontecer.
Quando ia do liceu para o trabalho da Lina, encontrei a mãe dela.
Vi-a e, de repente, ela disse-me «olá» e sorriu.
Fiquei paralisado.
Foi um gesto tão simples que, talvez para outra pessoa, não teria qualquer importância. Para mim teve. Depois de tudo aquilo que tenho vivido em relação à Lina e às dificuldades que envolvem os nossos encontros, encontrar a mãe dela e receber dela um simples cumprimento, acompanhado por um sorriso, deixou-me completamente surpreendido.
Não sabia muito bem como reagir naquele momento.
Fiquei paralisado, mas a impressão que aquele instante me deixou acompanhou-me depois.
A partir daí andei sempre alegre.
É curioso como uma coisa tão pequena consegue mudar tanto a maneira como vejo o resto do dia. Ontem estava com a cabeça no espaço, preso a cálculos, distâncias e perguntas. Hoje bastou um «olá» e um sorriso para me trazer de novo para a minha realidade, uma realidade onde a Lina ocupa grande parte dos meus pensamentos.
Quando estou com ela, a minha alegria acaba também por lhe provocar contentamento. E isso agrada-me.
Talvez porque gosto de saber que aquilo que sinto também chega até ela. Se a minha alegria a deixa contente, então aquilo que aconteceu hoje não ficou apenas comigo.
Foi um encontro breve, quase insignificante para quem o visse de fora.
Para mim, foi mais um daqueles pequenos acontecimentos que conseguem transformar um dia inteiro.
Hoje foi um «alto».
E foi apenas por causa de um sorriso.
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