Uma surpresa sem más notícias

Terça-feira, 17 de Janeiro de 1978

Hoje fui para o liceu mais satisfeito, porque vi a Lina. Depois de tantos dias sem a encontrar, a simples possibilidade de a ter visto mudou-me logo a disposição. Parece pouco, mas para mim não é. Há dias em que basta uma presença para que tudo à nossa volta adquira outra medida.

Quando as aulas terminaram, tratei logo de ir ter com ela. Queria vê-la, mas também queria saber como estava. Depois dos últimos dias, em que a doença a manteve afastada e a ausência começou a pesar-me, não sabia exactamente o que ia encontrar.

Quando me viu, a Lina ficou muito surpreendida. Não esperava que eu aparecesse. Talvez tenha pensado que eu não tinha ido às aulas ou que estivesse doente. Expliquei-lhe o que aconteceu e vi que ficou satisfeita.

E, desta vez, não houve más notícias.

Falamos muito.

É talvez isto que mais me alivia. Não é apenas vê-la. É poder estar com ela sem que alguém de forma inesperada venha interromper o pouco de tranquilidade que conseguimos conquistar. Depois de tantos receios, encontrei finalmente um momento em que pude simplesmente estar junto dela.

Regressei a casa com uma disposição diferente daquela com que comecei o dia. Afinal, às vezes basta um encontro para afastar durante algum tempo aquilo que nos pesa por dentro. Hoje a Lina apareceu-me de novo como uma certeza, e por enquanto isso chega-me.


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