A máquina da razão

Quarta-feira, 19 de Julho de 1978

Ando a pensar nisto há dias. O homem que se julga deus, que fala em nome da razão e semeia destruição. Por isso decidi escrever sobre ele.

A máquina da razão

Sou a máquina do ódio e protector do homem
Crio de mim uma imagem que me tornará num deus
Uma divindade que os infiéis temerão
E os fiéis se submeterão
A minha voz é a da razão
A voz que dá calor e vida
Que semeia o ódio e a destruição
Serei a água, serei o fogo
Mas nunca o homem de que me sirvo
Para contemplar a minha criação
Serei homem,
Somente enquanto a água não apagar o fogo
E este não evaporar a água
Serei homem
Somente quando estes miseráveis seres
A quem chamamos de homem
Me implorarem
Desprovidos do seu orgulho, que pare
Só então, quando domesticados estiverem
Dar-lhes-ei água para os dessedentar.

Danton Von Iasa

A voz que se diz razão é a que mais destrói. Fala em nome da vida e semeia ódio. E o pior é que, enquanto escrevia, percebi que todos nós, um dia, já fomos essa voz.



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