Corpos & Último suspiro (dois poemas)
Terça-feira, 11 de Julho de 1978
Sonhei com dois corpos e naquilo que eles poderiam representar. Um era o meu, o outro o dela, mas ela aparece como uma imagem que apenas consigo imaginar.
Corpos
O meu corpo, o dela, os nossos corpos
Maravilhavam de primazia assaz grande
Mas eu só a podia imaginar
O meu desejo fora violado
E o seu corpo aparecia
Envolto numa espessa bruma
Os seus cabelos dourados brilhavam ao Sol
Único testemunho da sua existência.
Danton Von Iasa
Este poema/sonho deixou-me uma imagem muito forte de alguém que parece existir apenas através dessa visão. É uma imagem que fica, mesmo sem eu conseguir tocar ou alcançar aquilo que imagino.
No segundo poema, decidi falar dos últimos momentos de uma vida. Tudo começa com uma bofetada e, depois dela, a sensação de que a vida se vai embora através da ferida. A dor física mistura-se com a dor no orgulho, até que tudo termina naquele último suspiro.
Último suspiro
O som da bofetada foi o último som que ouvi
Depois senti a vida escoar-se pelo único poro aberto
A ferida abrira e o sangue jorrava em catadupa
Livre de obstáculos, salpicando o chão num som áfono
A bofetada, o grito mudo e a dor no orgulho
Foram o eco dos últimos passos da vida
Danton Von Iasa
No fim, a bofetada, o grito que não se ouve e a dor no orgulho ficam como os últimos sinais de uma vida que está a acabar. São como um eco dos últimos passos antes de desaparecer.
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