Desabafo sobre a hipocrisia da moral humana
Sábado, 8 de Julho de 1978
Hoje apeteceu-me fazer um desabafo sobre a moral humana. A ideia é a de que aquilo que o homem considera uma verdade absoluta e que usa para se distinguir dos outros não passa, afinal, de uma construção circunstancial. A crítica estende-se depois à própria capacidade humana de destruir e de provocar horror pelos seus actos.
Desabafo sobre a hipocrisia da moral humana
Animal, pessoa estúpida, cavalgadura
Desabafo momentâneo
Despejado no momento oportuno
E cabalmente perfeito
A constituição moral de cada um
É um mero acaso
Melhor, foi por um mero acaso
Que o homem julgou ser possuidor
Da verdade absoluta
Diferenciando-se dos demais
Pelo seu “eu” superior
Quando todo o homem
Funciona com o mesmo objectivo:
Nascer, viver, odiar e morrer
Ultrapassando apenas a natureza
Na sua capacidade de odiar
O desenrolar da vida em todo o seu esplendor
No seu verdadeiro habitat
Não tem paralelismo
Com a sua capacidade de destruir
E que causa horror
Pela brutalidade dos seus actos.
Danton Von Iasa
Este desabafo termina na oposição entre a vida e a capacidade de destruição do homem. Para além de nascer, viver, odiar e morrer, é precisamente essa capacidade de destruir que surge como aquilo que mais o distingue e que provoca horror pela brutalidade dos seus actos.
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