Manifesto anti-homem

Sexta-feira, 7 de Julho de 1978

Hoje tenho uma visão profundamente crítica do homem e da sua relação com a natureza e com a sociedade. O homem é apresentado como um erro e como uma figura que, através das suas próprias contradições, contribui para o seu desaparecimento.

Manifesto anti-homem

O homem, produto da imaginação do “Criador”
E alvo das mais renhidas discordâncias
É o erro número um da natureza
E último da sobrevivência
O homem é um ultraje, uma afronta
É um acto vergonhoso
E mesmo criminoso da natureza
O homem é o princípio do fim
É um masoquista que tem por princípio
De provocar em si a afronta de se difamar
Para seu “bem” particular
E mal-estar de outrem
A alternativa imposta pela instabilidade social
É mergulhar no foco socializante
De olhos fechados
E esperar com pertinácia
O desenrolar do fim.
 
Danton Von Iasa

Este manifesto encerra uma imagem de passividade: perante a instabilidade social, resta mergulhar nesse “foco socializante”, de olhos fechados, e esperar pelo desenrolar do fim. A crítica que faço ao homem e a mim mesmo, permanece assim, ligada à ideia de que eu próprio participo na construção daquilo que me conduz ao fim.



Navegação — Diário

Comentários