O barco da intolerância

Quinta-feira, 6 de Julho de 1978

A cidade surge aqui como um barco perdido numa tempestade, rodeado por preconceitos e ideias sem fundamento. A crítica dirige-se à sociedade e àquilo que, no seu entender, ela produz: planos ilusórios, agressividade, desmoralização e uma forma de existência que acaba por destruir o próprio homem.

O barco da intolerância

Esta cidade cheia de preconceitos errados
É como um barco perdido numa tempestade
Num mar infestado de tubarões
Preconcebe ideias sem fundamento
E põe em prática planos ilusórios
Inconcebíveis do ponto de vista humano
Crescer tem um significado
Com instintos agressivos
De violação da paz e tranquilidade humana
Crescer é o método insipiente
Usado pelos ignorantes
Levados pela leva letárgica da sociedade.
A desmoralização
Que esta sociedade corrupta, putrefacta,
Espalha na superfície deste planeta
De um hemisfério ao outro
Faz com que o animal homem
Se sinta mais homem e mais devasso
Tornando-se aos poucos
Diáfano até desaparecer
Do planeta Terra.

Danton Von Iasa 

O poema deixa uma imagem final de desaparecimento. O homem, tornado cada vez mais devasso e diáfano pela sociedade que o rodeia, aproxima-se assim da própria dissolução, até desaparecer da Terra.



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