O homem — um paradoxo

Domingo, 18 de Junho de 1978

O homem é sinónimo de muitas palavras, tais como paz, liberdade, felicidade e amor. Porém, estas palavras nunca se encontram sozinhas, porque também são acompanhadas por outras como guerra, intolerância, exploração e ódio.

É estranho pensar nisto. O mesmo homem que fala de paz é capaz de fazer a guerra. Procura a liberdade e, ao mesmo tempo, tira-a aos outros. Quer ser feliz, mas tantas vezes provoca a infelicidade de quem está ao seu lado.

Como se pode verificar, o homem é o centro do universo, onde tudo gira à sua volta. Tudo parece existir para ser descoberto, utilizado ou transformado por ele.

O homem tem como papel principal criar para destruir, um costume que se tornou um hábito. Constrói hoje aquilo que amanhã pode destruir, como se nunca aprendesse com o que já fez.

Nada passa despercebido ao homem, a não ser ele mesmo.

É talvez esse o maior paradoxo. Inventou tantas coisas, descobriu tantas coisas, foi tão longe, mas ainda não descobriu a razão de ser de si próprio, muito menos a razão dos seus actos.

E depois há a irresponsabilidade e a incompetência, que tantas vezes acabam por marcar as pessoas como ferro em brasa.

Talvez eu também faça parte deste paradoxo. É fácil olhar para o homem e apontar aquilo que está mal. Mais difícil é perceber que também somos homens e que não estamos fora daquilo que criticamos.

Talvez seja por isso que continuo a pensar nestas coisas. Quanto mais procuro compreender o homem, mais difícil me parece compreender-me a mim próprio.



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