Nova Esperança


Sábado, 17 de Junho de 1978

Um dia em cheio.

Logo de manhã cedo fui ao liceu despedir-me e confraternizar com os meus colegas. Tiraram-se fotografias, relembraram-se cenas de há um ano e, no fim, desejaram-se felicidades uns aos outros.

Havia naquela manhã qualquer coisa de diferente. Era como se, de repente, aquilo que durante tanto tempo fez parte dos nossos dias estivesse a chegar ao fim. As fotografias ficaram para guardar momentos que, dali para a frente, já não seriam os mesmos.

Eu, já acompanhado por um colega, fui depois para a Academia, onde nos esperava um estágio da Soshinkay.

Foi uma segunda confraternização naquela manhã, desta vez com elementos das filiais. O treino foi bem dirigido e cansativo, diga-se. Mas gostei. Há qualquer coisa no treino que me faz esquecer o resto durante algumas horas.

De tarde voltei lá novamente para assistir a exibições de um mestre que, para dizer a verdade, achei fraco.

Mas houve uma notícia que me interessou muito mais. Soube que a Dila não dispensaria de ir a exame. Não foi o facto de ter de ir a exame, mas sim de ter sabido notícias sobre ela.

A primeira coisa em que pensei foi que talvez pudesse voltar a vê-la quando fosse fazer o exame.

Não sei porquê, mas essa possibilidade ficou comigo. Depois de tanto tempo sem a ver, bastou saber que poderia encontrá-la outra vez para o dia ganhar um sentido diferente.

Talvez seja apenas curiosidade. Talvez seja outra coisa.

Não quero pensar demasiado nisso agora. Mas a verdade é que gostaria de voltar a vê-la.



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