Aprender pelo sofrimento

 

Sexta-feira, 16 de Junho de 1978

Estou em maus lençóis, cama limpa, mas com colchão de pregos.

Os próximos dias vão ser um pesadelo. Vou contar todas as horas de sono até aos últimos minutos, à espera de uma boa ou má notícia. É estranho pensar que uma coisa que ainda não aconteceu já consegue tirar-me o sono.

Depois começará um novo ano de atropelos e tormentos. Uma guerra sem tréguas nem sobreviventes, cada período uma barreira de dificuldades a vencer. Parece que nunca conseguimos atravessar uma dificuldade sem que logo apareça outra.

E o último período foi uma curta batalha de nervos, com altas tensões e sofrimentos longos e duradouros. Ficam cicatrizes que não perdoam os anos que seguem, a caminho da velhice sem nunca envelhecer.

Talvez seja isso que mais me assuste: pensar que tudo aquilo por que passamos vai ficando dentro de nós.

A aprendizagem é uma constante da humanidade.

Não sei se é preciso sofrer para aprender. Gostava que não fosse. Mas talvez algumas coisas só se percebam depois de as vivermos. E eu ainda tenho muito para aprender.



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