O recanto escondido

Terça-feira, 4 de Julho de 1978

Negar o presente é renunciar o futuro. Mas há um lugar interior onde permanecem as recordações agradáveis, protegido de tudo e de todos. É nesse recanto escondido que encontro aquilo que ainda dá sentido à minha vida, mesmo quando o futuro aparece associado à morte e ao esquecimento.

O recanto escondido
 
Negar o presente é renunciar o futuro.
Dentro da minha alma
Num dos recantos mais escondidos
Onde mal chega o pensamento
Vivo eu.
Envolto nas recordações agradáveis
Vivo para um fim, amar sem ser amado
Renunciando a tudo e a todos
Excepto essas recordações
Que de corpo e alma protejo
Vivo a vida com um sem interesse tal
Que vejo já o meu corpo
Deslizar para a tumba fria e escura
Onde este meu corpo descansará
Num sonho mórbido
Até que o fogo da alma se consuma
E se vá juntar aos antepassados esquecidos
O meu corpo é um archote
A minha alma é o fogo
Que ilumina a minha vida.

Danton Von Iasa 

As recordações são, neste poema, aquilo que permanece protegido no lugar mais escondido da alma. O corpo é visto como um archote e a alma como o fogo que o ilumina: mesmo perante a imagem da morte e do esquecimento, é essa chama interior que dá luz à vida.



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