A dualidade da alma
Segunda-feira , 3 de Julho de 1978
Há coisas dentro de mim que não consigo explicar. O meu corpo parece querer uma coisa e a minha alma outra. Talvez seja por isso que tudo me parece tão confuso e que, às vezes, sinto que luto contra alguma coisa que não consigo ver.
Por isso escrevi:
A dualidade da alma
O meu corpo e a minha alma
Num sonho se completam
Ó vida miserável que me atormentas
E tolhes os meus passos
Acaba com a volúpia dos teus desejos
Deixa que a água corra nas fontes
Límpida e fresca
Deixa que o amor se espalhe
Como um mal que tolhe os movimentos
Sê realista como a natureza
Faz de mim o teu ódio pessoal
Ó ave negra que cobres o Sol
Afasta a tua sombra
Dos meus domínios de sonho, além fantasia
Vai-te para onde a vista não chegue
Vai-te no rumor do vento
Vai-te na tua jactância e fealdade
Vai-te horrível visão, “carpe diem”
Vai-te, não te quero ver.
Danton Von Iasa
Depois de tudo fica uma luta que não sei resolver. Há uma parte de mim que procura o sonho e outra que parece querer fugir dele. A vida surge como aquilo que me prende e me atormenta, enquanto eu procuro alguma coisa mais limpa, mais livre, como a água que corre nas fontes.
E há essa ave negra, essa sombra que cobre o Sol e invade os meus domínios de sonho. Não sei se é uma coisa concreta ou apenas uma imagem daquilo que me atormenta. Sei apenas que não a quero. Por isso a mando embora tantas vezes: vai-te.
Talvez seja essa a dualidade da minha alma: querer encontrar alguma forma de liberdade e, ao mesmo tempo, sentir que alguma coisa continua a impedir-me de a alcançar.
Comentários
Enviar um comentário