C’est la vie

Domingo, 2 de Julho de 1978

Há dias em que sinto que o passado não ficou para trás. Continua presente, misturado com aquilo que penso e com a maneira como vejo as pessoas. Hoje voltei a essa ideia e escrevi:

C’est la vie.

A hipocrisia por que tanto luto
É mais que um obstáculo moral
E sim um obstáculo físico
A imoralidade de uns quantos indivíduos
É essa massa de carne que se interpõe
Entre a realidade e a ficção
Sou uma pessoa que acredita
No expansionismo das emoções¹
E que combate o retrogressismo² emocional
O meu maior inimigo é o passado
Que se infiltrou no cérebro das pessoas
Ainda sem estrutura mental
Fazendo-as vegetar
Com almas inertes e corpos em movimento.
Como arma deste passado
O dogmatismo social
Impede o pensamento
E o tempo pára levando o relógio da vida
A fazer uma contagem regressiva.

Danton Von Iasa

Não sei se estou certo em pensar desta maneira, mas há coisas na sociedade que me irritam cada vez mais. Parece-me que muitas pessoas vivem sem pensar verdadeiramente naquilo que fazem, aceitando tudo como se não houvesse outra possibilidade.

E talvez seja isso que mais me incomoda: sentir que o passado continua a mandar no presente.

Falo de emoções, de pensamento, de liberdade, mas no fundo também estou a falar de mim. Não quero ficar preso àquilo que já aconteceu, embora ainda não saiba muito bem como me libertar disso.

Talvez por isso termine outra vez com “C’est la vie”.

É uma maneira simples de dizer que a vida continua, mesmo quando não percebemos muito bem para onde ela nos leva.



Navegação — Diário

Comentários