O peso das recordações

Sábado, 1 de Julho de 1978

Hoje voltei às recordações e àquilo que ainda me custa esquecer. Há coisas do passado que continuam presentes, mesmo quando tento afastá-las. Foi esse estado de espírito que me levou a escrever:

O Peso das Recordações

Regresso de novo às recordações
Que quão doloroso me deixam ficar
Em vão tento afastá-las
E ao mesmo tempo perpetuá-las
Para que essa dor não desapareça
E me faça sofrer
Pelos meus erros de outrora
Que não são poucos.
O meu sistema nervoso influenciou o meu cérebro
Nos meus pensamentos
O presente é misturado com o passado
Onde recordo então essas memórias
Esses episódios dolorosos
Que permanecem na minha vida
Fecho os olhos e recuo ao passado
Para um dia chuvoso
E para um outro dia
Que nem depois de morto esquecerei
E que só o meu orgulho
Me impede de me prostrar a seus pés
E implorar pelo seu perdão

 Danton Von Iasa

Não sei porque continuo a voltar sempre aos mesmos dias.

Quero afastar essas recordações, mas quando penso que talvez consiga esquecê-las, parece que alguma coisa dentro de mim não deixa. Talvez porque ainda não esteja resolvido aquilo que ficou para trás.

Há erros que se esquecem com facilidade. Outros ficam.

E eu continuo a pensar naquele perdão que nunca pedi.

Talvez seja mesmo o orgulho que me impede. Ou talvez tenha simplesmente medo de voltar a aproximar-me daquilo que me fez sofrer.

Por enquanto, as recordações continuam aqui.

E eu continuo a voltar a elas.



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