Um sonho

Quinta-feira, 8 de Junho de 1978

É verdade, sou covarde
Recuei quando devia ter avançado
Fui covarde ao acreditar na derrota
Quando a vitória me sorria.
Tudo começou quando ainda dormia
Estava envolvido num sonho
Que pensei não acabaria
Escombros por todo o lado
Corpos ensanguentados, mutilados, no pó
Reflectiam bem o horror que presenciava
Os bombardeamentos eram sucessivos
Desde a noite passada,
A noite mais longa da minha vida
Já não conseguia ouvir a minha irmã chorar
Tanto era o barulho
Cai uma bomba longe
E ainda outra e mais outra
Cada vez mais perto
As pessoas fogem assustadas
E ainda outra, gritei...
Tinha a minha irmã inerte nos meus braços...
Acordei.

Ainda estou a pensar neste sonho. Foi só um sonho, mas quando acordei parecia tudo tão verdadeiro que fiquei algum tempo sem saber onde estava.

A parte da minha irmã deixou-me especialmente impressionado. Talvez seja por isso que escrevi tudo isto. Ainda não percebo bem porque é que, no sonho, me chamei cobarde. Talvez tenha sido por ter recuado. Ou talvez seja por outras coisas que nem eu quero admitir.

É estranho como um sonho pode mexer tanto connosco. Agora que estou a escrever, já passou, mas continuo com aquela sensação desagradável. Talvez amanhã já nem pense nisto.



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