A sociedade que nos corrompe
Sexta-feira, 9 de Junho de 1978
Não são os terrores da guerra
Que me causam horror ao ódio que emana,
Mas sim, e como sempre, a sociedade
Esta sociedade em que estou inserido,
Em que estamos integrados
Causa-me asco saber que ainda há
Quem passe parte da vida
A trabalhar para uma sociedade
Que não nos merece
Para quê a política e a religião
Quando é o homem o centro do universo?
A nossa vida é como um brinquedo
Que se monta e desmonta
Sem importar se possui ou não uma base sólida
Esta sociedade é montada
Segundo uma metodologia ilógica
Própria de irresponsáveis
O nosso mal é que esta sociedade
Se encarnou em nós próprios
Não havendo fuga possível.
O pior é que também eu estou metido nisto tudo. Não posso dizer que a sociedade é má e ficar de fora, porque também faço parte dela.
Talvez seja isso que me revolta mais. Não gosto de muitas coisas que vejo, mas também não sei como poderiam ser diferentes. Às vezes penso que seria preciso começar tudo de novo, mas depois pergunto-me se o homem não acabaria por estragar tudo outra vez.
Não sei. Talvez esteja a pensar demais nestas coisas. Mas não consigo deixar de pensar.
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