Perdi-me neste inferno de falsos heróis
Sábado, 10 de Junho de 1978
Perdi-me neste inferno de falsos heróis
A vida, por quanto vale, não merece ser vivida
O peso da certeza é uma dúvida
Quando se confunde amor com povo
Enquanto um é verso
O outro é um maquinismo de ódio e destruição
A razão pela qual, o homem, centro do universo
Não é mais do que uma estrela
Perdida algures numa qualquer galáxia
O fanatismo, braço direito do homem,
Deriva de um conjunto de ideias
Sem nexo nem explicação
E com uma simetria tal
Que nenhuma concorda com a outra.
A explicação
Que o homem dá a si mesmo, não o satisfaz
Chamando assim a ignorância
Em busca do esconderijo ideal
Onde ninguém faz perguntas.
Negativismo.
Há dias em que tenho mesmo a sensação de me ter perdido no meio de tudo isto. Tantas ideias, tantas certezas e, no fim, parece que ninguém sabe realmente onde está a verdade.
Talvez eu também seja um pouco assim. Escrevo contra aquilo de que não gosto, mas ainda não sei muito bem aquilo em que acredito. É mais fácil dizer que certas coisas estão erradas do que encontrar outras que estejam certas.
E talvez seja isso que me incomoda neste poema. Falo dos falsos heróis, do fanatismo e da ignorância, mas também estou à procura de qualquer coisa. Só ainda não sei exactamente do quê.
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