A dança dos fantasmas
Domingo, 11 de Junho de 1978
Quando a noite cai e o silêncio nos perturba
Os fantasmas vindos das trevas
Rodopiam numa dança louca sobre as nossas cabeças
Lançando gritos estridentes
Para depois desaparecerem no escuro da noite
O silêncio da escuridão, acalmia dos vivos
Agitação das almas que por esse mundo penam
Em busca da honra perdida
É o pesadelo dos vivos
Qual espectro vindo da noite
Onde uivos e gemidos
Se confundem com a folhagem da rua
Batida pelo vento
Vasculhar em horas mortas
É o hábil processo de capturar almas perdidas
Horrendas figuras e sombras macabras
Em noite de luar, a noite enche-se de vida
Numa movimentação frenética,
Mas mal o galo canta
E os alvores do dia se avizinham
A noite morre e nasce o dia.
Gosto desta ideia de os fantasmas desaparecerem quando chega o dia. Durante a noite tudo parece mais estranho e mais assustador. Talvez por isso estas imagens me apareçam com tanta facilidade quando estou sozinho a pensar.
Não sei se acredito em fantasmas. Provavelmente não. Mas há coisas que nos perseguem mesmo sem sabermos muito bem o que são. Talvez sejam apenas pensamentos que não nos deixam sossegados.
E depois nasce o dia e tudo parece diferente. Talvez seja por isso que a noite me dá tantas ideias.
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