Diários

Entre devagar. Tire os sapatos — aqui pisa-se memória.

Cada página que se segue é uma dobra no tempo, um recorte do que fui e do que senti entre Março de 1975 e Dezembro de 1979.

Nos primeiros dias, encontrará o quotidiano: palavras gastas pelas rotinas, pelo café da manhã, pelas sombras do fim da tarde. Mais adiante, a realidade começa a transfigurar-se. As palavras deixam de relatar e começam a pensar, a sonhar, a desenhar. Surgem contos. Reflexões. Depois, mais tarde, quase sem dar por isso, entra-se na poesia.

Não espere perfeição, nem narrativa redonda. Espere sim vida em estado bruto convertida em emoção e sentimento, momentos apanhados no fio da memória e costurados com a linha do tempo.

Este é o meu relicário.


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