A rotina sem "ela"

Terça-feira, 21 de Outubro de 1975

O despertador trouxe consigo o som da rotina, e eu segui os passos de cada manhã com a sensação de que tudo estava no lugar certo, mas ainda incompleto. A escola, os colegas, as salas de aula – tudo retomava o seu ritmo natural, mas a ausência da Dila fazia-se sentir como um vazio subtil, quase imperceptível, mas presente em cada olhar que eu lançava pelo corredor.

As horas passaram entre exercícios e explicações, mas a mente insistia em vaguear para ela, para o sorriso que não tinha visto no dia anterior, para a possibilidade de cruzar os nossos caminhos a qualquer instante. Perguntei-me se ela se recordava de mim, se sentiria a falta da minha presença, e se os nossos olhares se encontrariam como antes.

O fim da tarde trouxe o alívio das aulas concluídas, mas também a estranha sensação de monotonia emocional: tudo corria como esperado, mas faltava aquela centelha que a Dila sempre trazia. Voltei para casa com pensamentos entrelaçados entre a rotina e a expectativa, consciente de que o reencontro seria breve, e que cada dia de espera aumentava o valor de cada instante que passássemos juntos.

Assim terminou um dia aparentemente normal, mas carregado de pensamentos, desejos e uma ansiedade contida que se recusava a desaparecer.


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