O retorno de… quase tudo

Segunda-feira, 20 de Outubro de 1975

Hoje o dia começou com a manhã silenciosa, mas carregada de uma expectativa que quase me fazia sentir nervoso. Tinha alguma liberdade, podia vaguear pela casa e organizar os cadernos, os livros, e todo o material que traria para o liceu, mas a mente estava noutro lugar. Cada minuto parecia arrastar-se, e cada pequeno som me lembrava de que algo importante estava prestes a acontecer: o regresso às aulas e, com ele, a possibilidade de voltar a encontrar a Dila.

Passei a manhã a tentar ocupar-me, mas a ansiedade não me deixava concentrar totalmente. Cada passo, cada sensação, era acompanhado de pensamentos sobre o que poderia acontecer, sobre se a veria nos corredores ou na paragem do trólei, se sorriria ou se me ignoraria como o fez da última vez.

Quando finalmente chegou a hora das aulas da parte da tarde, fui para o liceu com o coração a bater mais rápido, pronto para a rotina, pronto para reencontrar os rostos familiares. Mas a Dila não surgiu. Não a encontrei, e senti uma mistura estranha de frustração e paciência. Apesar de não a ter visto, havia em mim a certeza de que o momento do reencontro chegaria em breve, inevitável e esperado.

O dia terminou com essa sensação em turbilhão: um misto de ansiedade, expectativa e esperança. Fechei o diário consciente de que os próximos dias seriam decisivos, e que cada instante de atenção, cada gesto ou olhar, poderia transformar este mundo silencioso em algo vibrante e inesperado.


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