Dias longos, pensamentos silenciosos

Sexta-feira, 24 de Outubro de 1975

O dia começou como qualquer outro, com a rotina das aulas a ocupar cada minuto. Os professores apresentaram novos temas e exercícios, e eu seguia-os com atenção, mas de forma automática, como se parte da minha mente estivesse noutro lugar. A Dila continuava a pairar nos meus pensamentos, mesmo ausente, e cada gesto, cada olhar pelos corredores parecia encaminhar-se para ela.

Durante os intervalos, senti o peso de cada minuto que passava sem a ver. A ansiedade misturava-se com a frustração de não a encontrar, mas também com uma curiosidade silenciosa: que mudanças terá ela vivido desde o último encontro? Que novidades teria para mim quando nos cruzássemos novamente? Cada pensamento era acompanhado de pequenos arrepios, uma mistura de expectativa e inquietação.

Ao final da tarde, voltei para casa com o coração pesado e a mente inquieta. Os livros e cadernos ainda aguardavam preparação para a próxima semana, mas eu sentia que nada do material importava realmente. A presença da Dila, mesmo que apenas na imaginação, fazia com que tudo o resto parecesse secundário.

O dia terminou com uma reflexão calma, mas carregada de sentimentos contraditórios: a rotina continuava, os dias corriam, mas havia algo no ar que me dizia que o reencontro seria breve e decisivo. A espera, por mais longa que fosse, tornava cada instante de atenção e cada pensamento dedicado a ela ainda mais intenso.


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