Entre a rotina e a espera

Quinta-feira, 23 de Outubro de 1975

Hoje as aulas seguiram o ritmo habitual, com explicações dos professores e exercícios que preenchiam o tempo sem grandes surpresas. A cadência do Liceu parecia uma constante, mas no fundo dos meus pensamentos, a Dila continuava presente, silenciosa, como uma sombra que não se via, mas que se sentia em cada instante.

Durante os intervalos, olhei pelos corredores e jardins do Liceu com a atenção dividida: observava os colegas, mas procurava também qualquer sinal dela. O coração acelerava-se ao imaginar que a poderia encontrar a qualquer momento, mas ela não apareceu. A sensação de expectativa crescia, entrelaçada com a monotonia das aulas, criando um turbilhão de sentimentos que nem sempre conseguia compreender.

Ao final do dia, voltei para casa com a mente inquieta, reflectindo sobre como algo tão simples como um reencontro poderia mudar a rotina de um dia inteiro. A Dila, mesmo ausente, continuava a condicionar as minhas emoções e a despertar uma atenção silenciosa, quase inconsciente, em cada gesto e pensamento.

O dia terminou com essa mistura de ansiedade e esperança, consciente de que os próximos encontros poderiam trazer pequenas certezas ou novas incertezas, mas sempre mantendo-me atento, como se o mundo estivesse, de alguma forma, à espera de um único instante.


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