Dias sem cor e ruas com destino

Sexta-feira, 17 de Outubro de 1975

Hoje o dia arrastou-se como se o tempo tivesse esquecido de avançar. Eu e o Manel decidimos ir novamente atrás das raparigas que tinham chamado a nossa atenção ontem, mas de nada valeu. Ou estavam a fazer-se de difíceis, ou simplesmente não se interessavam. A frustração cresceu um pouco, mas com ela veio também a resignação. Aprendi mais uma vez que algumas coisas não podem ser forçadas.

O resto do dia decorreu com a monotonia habitual. Sem nada para ocupar a mente, caminhei de um lado para o outro, observando a rotina da minha rua, os mesmos rostos conhecidos, os sons repetidos. Havia um certo conforto na previsibilidade, mas também um leve tédio que insistia em instalar-se.

Ao fim da tarde, eu e o Benjamim seguimos para o Porto, rumo aos treinos na Academia. Pelo caminho passamos pelo liceu e, finalmente, tivemos a confirmação de que os horários das aulas haviam saído. As aulas só começariam na próxima segunda-feira. Um pequeno alívio misturado com ansiedade: os dias de liberdade ainda estavam à nossa espera, mas a rotina regressaria em breve.

Assim terminou o dia, com ruas percorridas, frustrações libertadas e uma leve sensação de preparação para os dias que se aproximavam.


« Página anterior / Índice / Página seguinte »