Entre falsas pistas e pequenas alegrias
Terça-feira, 12 de Agosto de 1975
Hoje de manhã os meus colegas não vieram a minha casa. O silêncio da casa parecia pesar mais do que o habitual, e cada instante prolongava-se com a lentidão de quem espera algo que tarda a acontecer. O relógio marcava o tempo, mas a minha mente continuava a vaguear, à procura de sinais, à procura de um fantasma, mesmo que apenas no pensamento.
À tarde, finalmente, ambos os colegas apareceram. A companhia trouxe um alívio momentâneo, mas a inquietação não desapareceu; a curiosidade pelo que se passava na vida da Dila estava sempre à espreita. Mais tarde, acompanhei o Manel para seguir um rumor — um “rebate” que prometia ser emocionante. Um miúdo dissera-nos que a Dila e a irmã estavam por perto, mas o meu entusiasmo esmoreceu rapidamente. Quando chegamos ao local indicado, percebemos que fora apenas para gozo. A frustração percorreu-me como uma corrente elétrica, mas tentei engolir a decepção.
Depois, seguimos até à casa do Manel, com a intenção de pedir autorização ao pai dele para nos deixar ir acampar. A resposta não foi dada; um silêncio que pesava tanto quanto uma negativa e que nos obrigou a adiar os planos, deixando a expectativa suspensa no ar. Decidimos regressar noutra altura, a esperança permanecendo como uma chama branda, ainda que vacilante.
No final do dia, fui a casa da minha irmã para festejar os anos da minha sobrinha. Entre risos e pequenas celebrações familiares, senti um calor diferente, uma alegria leve que contrastava com as frustrações da tarde. Pequenos momentos assim lembram-me que, mesmo nos dias em que nada corre como queremos, existem fragmentos de felicidade que nos acompanham e nos mantêm firmes.
Assim terminou o dia, entre falsas pistas, esperas adiadas e pequenas alegrias que aquecem o coração.
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