Resenha da Semana - 21 a 27 de Março de 1977

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Acontecimentos relevantes desta semana

O leitor que tem acompanhado esta jornada recordará decerto que, no fecho da semana anterior, uma linha invisível se começava a desenhar entre o António e a Dila. 

Pois bem, esta nova semana abre sob o signo desse estreitar de laços, onde os dois postais oferecidos pela Dila no décimo sétimo aniversário do António se tornam o preâmbulo de uma cumplicidade renovada. 

Logo na paragem de trólei, a Dila confessa, com o olhar baixo, que desejava apenas dar-lhe uma recordação diferente daquela data, inaugurando uma viagem onde os silêncios deixam de ser constrangidos para passar a ser o lugar onde melhor se entendem.

A meio da semana, a narrativa ganha uma textura mais madura e profunda. Num dos raros intervalos em que conversam completamente sozinhos, sentados num muro baixo do recreio, a Dila demonstra uma capacidade invulgar de decifrar o António. 

Ao comentar que ele nunca escolhe os caminhos mais fáceis face às suas novas responsabilidades no DIFI, ela valida-o de uma forma sincera que o deixa desarmado. 

É nesse mesmo banco que António percebe que já não partilham apenas histórias de infância, começam, pouco a pouco, a desvendar o mapa dos sonhos e do futuro de cada um. 

Antes que a semana mude de tom, a Dila deixa ainda pairar um pequeno mistério no ar, interrompendo uma frase com um brilho malicioso e um "amanhã falamos", quebrando a rigidez das despedidas habituais ao desejar-lhe, carinhosamente, que durma bem.

Contudo, o verdadeiro teste emocional da semana aguarda-os na sexta-feira, quando uma "bomba" trazida pelo Manel abana a aparente imutabilidade do mundo deles. A notícia — verdadeira ou não — de que o amigo vai casar e ser pai aos dezasseis anos funciona como um espelho abrupto e cinzento para a realidade de ambos. 

Ao caminharem pelas ruas do Porto, a habitual leveza dá lugar a uma seriedade densa. Enquanto o mundo parece focar-se apenas no rapaz, a Dila, com a sua sensibilidade aguçada, desvia o olhar para o lado humano e invisível da história, preocupando-se imediatamente com o medo e o desespero da rapariga e das famílias.

Confrontados com a rapidez com que a vida pode exigir que se cresça antes do tempo, a Dila confessa, num murmúrio, o seu receio perante um futuro que muda depressa de mais. 

É então que, no trólei de regresso, a narrativa atinge o seu clímax íntimo quando ela lança uma pergunta desarmante, se o António acredita que as pessoas podem gostar uma da outra e, mesmo assim, saber esperar. A resposta afirmativa dele sela um pacto implícito entre os dois.

A súmula desta semana revela ao leitor que o António e a Dila cruzaram uma fronteira invisível, o território deles já não é feito apenas de risos e caminhos debaixo de chuva, mas sim de uma promessa silenciosa de que o sentimento que os une tem o seu próprio tempo para florescer, protegido das pressões do mundo exterior.


António Dias

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