Capítulo III
A Falta que se Sente
Há mudanças que não acontecem num dia determinado. Vão-se instalando devagar, quase sem darmos por elas, até ao momento em que uma ausência basta para nos mostrar o lugar que alguém já ocupa na nossa vida.
Até aqui, António tem descoberto novas pessoas, novos interesses e novas formas de preencher os dias. A música, o teatro, a igreja, a Academia e os amigos foram abrindo espaços que antes pareciam não existir. E, pelo meio de tudo isso, Lina deixou de ser apenas mais uma presença.
Mas há uma diferença entre gostar da companhia de alguém e começar a sentir a sua falta.
É nesse território que entramos agora.
O que se segue não é apenas a continuação de uma aproximação. É o momento em que António começa, talvez sem ainda o compreender inteiramente, a perceber que algumas pessoas já não estão simplesmente à sua volta. Estão dentro dos seus dias. E quando não aparecem, alguma coisa fica diferente.
Ainda não sabemos onde essa descoberta o vai levar.
Nem ele.
Mas, a partir daqui, já não será possível olhar para estas novas presenças exactamente da mesma maneira.
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