Carta 1
7 de Maio de 2026
Olá Dila,
Passaram cinquenta anos desde a última vez que tivemos contacto, por isso é natural que não te lembres de mim.
Escrevo esta carta para cumprir uma promessa que te fiz na juventude, dar-te a ler um diário que comecei a escrever nessa época, em grande parte inspirado por ti.
Permite-me esclarecer que não existe qualquer intenção dúbia quanto a esta carta. Sou casado e feliz no meu casamento. Esta carta não tem qualquer intenção além de cumprir essa promessa antiga. Não pretendo interferir na tua vida actual nem espero obter qualquer resposta da tua parte.
Recentemente reli esses diários antigos, escritos na adolescência. São textos simples, do próprio punho, que registam aqueles tempos. Como tu fizeste parte desse período, pensei que seria honesto dar-te a oportunidade de os ler, tal como te havia prometido e tu havias revelado essa mesma vontade, isto se tiveres interesse.
Os diários encontram-se compilados em vários ficheiros Pdf (9 ficheiros mais concretamente) e também estão digitalizados em forma de imagem.
Como estou a escrever uma biografia que incide no tempo da minha adolescência, acabei por reescrever os Diários para uma linguagem mais actual e ao mesmo tempo mais sensorial, dado que naquele tempo a escrita não acompanhava o pensamento e as emoções.
Hoje, a esta distância, cinquenta anos, de uma forma racional e não emocional olho para trás e revejo-me nas raízes da pessoa em que me tornei.
Esta parte biográfica da minha vida está compilada num blogue (https://diarios-da-adolescencia.blogspot.com/) que ainda não tornei público, mas espero fazê-lo brevemente (talvez em 26 de Março de 2026 ou a 13 de Abril de 2026).
Não espero resposta. Se preferires não responder ou não ler os diários, respeitarei inteiramente a tua decisão. A promessa fica cumprida pelo simples facto de te ter escrito.
Se, por outro lado, tiveres curiosidade em ler os textos, terei todo o cuidado em partilhá-los contigo da forma que considerares adequada.
Com todo o meu respeito e consideração,
António
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