Entre a frustração do dia e a sombra da partida
← Página Anterior | Índice | Página Seguinte →
Quarta-feira, 17 de Agosto de 1977
De manhã levantei-me e fui com o meu pai a Gondomar para tratar do meu bilhete de identidade. Quando chegámos, percebi que me tinha esquecido das fotografias. O meu pai teve de voltar a casa para as ir buscar e quase uma hora depois lá regressou. Quando finalmente chegou a nossa vez, porém, nada se resolveu. Viemos embora sem conseguir tratar do assunto.
Não fiquei propriamente satisfeito com a viagem. Tínhamos ido ali para resolver uma coisa concreta e acabámos por voltar para casa com o problema exactamente como estava. Há dias em que parece que até as tarefas mais simples conseguem complicar-se.
À tarde continuei com as minhas experiências do "TCHI-TÉ" (*), ouvi música, fui tomar uma vacina e, no fim da tarde, treinei com o Manel. A nova ideia começava a ocupar-me bastante tempo. Gostava da possibilidade de criar uma forma de defender-me mesmo com a limitação do meu braço direito. Era uma espécie de desafio que eu tinha colocado a mim próprio e que, por enquanto, divertia-me explorar.
À noite, depois do jantar e da novela Gabriela, o Manel, o Victor e o Zé Carlos vieram a minha casa. Depois fomos a casa da Lina festejar o aniversário da sua irmã. A noite prolongou-se até à uma e um quarto.
Como em tantas outras festas, não me diverti por aí além. Havia muita gente e aquele ambiente nunca me agradava especialmente. O que me interessava era a Lina. Queria ter tido um momento mais tranquilo para me despedir dela, mas isso não aconteceu. Ela também não conseguiu despedir-se de mim como pretendia.
Quando finalmente vim embora, fiquei com essa pequena frustração. Não era nada de grave, mas eram precisamente estas pequenas coisas que começavam a ter importância para mim. Já não me era indiferente terminar uma noite ao lado da Lina sem conseguir dizer-lhe adeus da maneira que desejava.
Comentários
Enviar um comentário