O tempo das mãos ocupadas
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 1977
Esta manhã levantei-me e, depois do pequeno-almoço, voltei ao estudo das artes marciais. Há qualquer coisa de absorvente na repetição dos movimentos, na tentativa de perceber cada gesto e de o fazer melhor. Passei a manhã assim, concentrado, deixando que as horas avancem sem lhes prestar demasiada atenção. Depois do almoço retomei o estudo e continuei durante boa parte da tarde, até sentir que já precisava de parar. Descansei um pouco, lanchei e voltei novamente àquilo que tenho entre mãos. Mais tarde treinei, entretanto apareceu o Manel. Continuei com ele até o treino acabar e só então dei o dia por terminado nessa parte.
Depois do jantar fiquei algum tempo a ver televisão, até o Victor chamar-me. Saímos e fomos primeiro a casa do Manel. Mais tarde seguimos para casa da Lina. Ficámos por lá até perto da meia-noite. Com ela, os dias parecem ter adquirido uma espécie de rotina própria. Já não preciso de grandes acontecimentos para sentir que alguma coisa se passa. Basta estar ali, ouvi-la, trocar algumas palavras, sentir a presença dela. Quando chegou a hora de despedir-me, fiz como habitualmente e vim embora.
No caminho de regresso pensei pouco no que tinha acontecido durante o dia. Talvez porque, depois de tudo o que tenho vivido nas últimas semanas, estar com a Lina já me pareça uma coisa natural. Mas há momentos em que essa naturalidade me engana. Ainda não sei exactamente onde começa o hábito e onde começa aquilo que sinto por ela. Sei apenas que, quando me afasto, levo sempre comigo qualquer coisa daquela presença.
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