Entre palavras e dores de cabeça

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Terça-feira, 9 de Agosto de 1977

De manhã levantei-me por volta das dez horas. Como não tinha nada de especial para fazer, voltei às minhas katas e entretive-me a escrevê-las até à hora do almoço. A escrita ajudava-me a ocupar o tempo e dava-me qualquer coisa em que concentrar a atenção.

À tarde fui para o centro. Fiquei por lá até às seis horas, a ler livros de aventuras e a fazer companhia a outro colega. Era um daqueles dias sem acontecimentos que merecessem grande importância, mas em que o tempo se vai preenchendo com pequenas coisas. Depois vim para casa.

À noite, depois do jantar, o Victor chamou-me. Fomos primeiro a casa do Manel e depois a casa da Lina. Quando a vi, porém, não me apeteceu conversar muito. Estava indisposto, com dores de cabeça, e preferi não prolongar a visita. Vim logo embora.

Em casa ainda vi um pouco de televisão e li o jornal antes de me deitar. O dia terminava quase tão discretamente como tinha começado. Talvez a única coisa que me incomodasse fosse aquela sensação de ter estado tão perto da Lina e, ao mesmo tempo, não ter tido disposição para aproveitar a sua companhia. Mas naquele momento a dor de cabeça falava mais alto.


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