Uma farsa de karaté
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Quarta-feira, 10 de Agosto de 1977
De manhã, depois de me levantar, tomei o pequeno almoço e voltei às katas. Começava a ganhar-lhes gosto. Havia qualquer coisa de curioso em escrever aqueles movimentos e tentar pô-los em ordem, como se também eu estivesse a aprender a organizar melhor aquilo que fazia.
À tarde fui para o centro. Estive com alguns colegas, conversámos, vi uns livros e, antes de vir embora, ainda joguei ping-pong. Depois regressei a casa, lanchei, li alguns livros de aventuras, vi televisão e jantei.
Mais tarde, o Manel veio chamar-me a casa. Fomos buscar o Victor e os três seguimos para um campo da bola, onde íamos assistir a um treino de karaté. Ou, pelo menos, era isso que se anunciava. Ficámos ali até depois das onze e meia e depressa percebemos que aquilo tinha pouco de treino sério. O homem que fazia de instrutor parecia conhecer algumas bases, mas confundia os próprios nomes das posições e dos ataques. A certa altura, já nem conseguíamos levar aquilo a sério.
Fomos assistindo, trocando olhares e comentários, até que a coisa acabou por se transformar numa verdadeira farsa. Viemos embora a rir da figura que tinham feito, mais divertidos pelo espectáculo que tínhamos presenciado do que propriamente impressionados com o treino.
Foi um daqueles serões sem importância especial, mas que acabam por ficar na memória precisamente porque nos divertimos com uma coisa tão inesperada.
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