Uma nova rotina

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Quinta-feira, 11 de Agosto de 1977

O meu pai acordou-me de manhã e fiquei maldisposto. O que ele pretendia nem sequer exigia que eu me levantasse àquela hora e fiquei a pensar que poderia ter continuado a dormir. Depois disso, o resto da manhã passei-o entre livros de karaté. Começava a interessar-me cada vez mais por aquilo e já não era apenas uma maneira de passar o tempo.

Depois do almoço fui para o Porto, mais propriamente ao Arquivo de Identificação. A minha passagem por lá foi rápida, cerca de dez minutos. Depois aproveitei o resto da tarde para dar um longo passeio. Andei durante algumas horas, sem pressa, até que decidi regressar.

Cheguei a casa bastante cansado, lanchei e deitei-me. O cansaço venceu-me de tal maneira que dormi até ser acordado pela minha mãe para para jantar. Depois vi televisão e, quando o Manel chegou, treinámos durante perto de uma hora. Segundo ele, aquele era o primeiro dia de muitos que ainda estavam para vir.

Eu não sabia se haveria de concordar com tanto entusiasmo, mas também não me desagradava a ideia. Nos últimos tempos, o karaté começava a ocupar cada vez mais espaço nos meus dias. Entre os livros, as katas e agora os treinos, tinha encontrado uma actividade que me prendia verdadeiramente a atenção.

Talvez fosse apenas uma nova fase. Ou talvez estivesse simplesmente a precisar de alguma coisa que me ocupasse a cabeça.


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