Um dia sem a Lina
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Segunda-feira, 8 de Agosto de 1977
Acordei perto do meio-dia e só me levantei depois dessa hora. A manhã tinha ficado para trás sem que eu desse por ela. Depois do almoço entretive-me a ver uns recortes de jornal. Eram coisas que me prendiam a atenção por algum tempo, mas que também serviam para preencher aquelas horas em que não havia nada de especial à minha espera.
Depois fui para o centro. Durante a tarde entretive-me a escrever uma kata e estive ainda algum tempo com um colega. Às sete horas vim embora. O dia tinha passado quase todo sem grandes acontecimentos e, pela primeira vez em alguns dias, a Lina não tinha aparecido no meu caminho.
Cheguei a casa, lanchei, vi televisão e jantei ao mesmo tempo. Fiquei depois ocupado com pequenas coisas até me deitar. Antes disso tentei arranjar um secador para ocupar tempo. A tentativa não correu bem e acabei às escuras, obrigado a ligar o automático e a desistir.
Fiquei ali por momentos, no escuro, sem saber muito bem o que fazer. Era apenas um dia comum, quase vazio, mas talvez por isso mesmo comecei a notar uma coisa. Depois de tantos dias em que a Lina tinha aparecido constantemente, a sua ausência começava também a fazer-se sentir. Não aconteceu nada entre nós hoje. Não houvera encontro, conversa ou beijo que pudesse levar comigo para a noite. E, ainda assim, dei por mim a pensar nela.
Talvez estivesse a habituar-me depressa demais à sua presença.
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