Entre a pressa e os pequenos sonhos
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Terça-feira, 14 de Junho de 1977
Hoje não fui à primeira aula.
Saí de casa um pouco mais tarde e, quando cheguei ao liceu, soube que mais dois professores tinham faltado.
Não valia a pena ficar.
Antes de regressar, passei pela Ruvina para comprar umas cordas de viola que o grupo coral do CRM me tinha pedido.
Levei-as comigo e vim para casa.
Ainda era cedo.
Para passar o tempo fui até ao quintal e fiquei algum tempo a observar os patos.
Há dias em que basta vê-los andar de um lado para o outro para sentir uma estranha tranquilidade.
Depois li um pouco e almocei.
Ao princípio da tarde fui para o DIFI.
Encontrei um colega e acabámos por passar quase toda a tarde juntos.
Entre uma conversa e outra surgiu uma ideia.
Porque não criar um jornal do DIFI?
Quanto mais falávamos, mais sentido a ideia fazia.
Pegámos em folhas de papel, começámos a pensar nas secções, nos textos, na apresentação.
Sem darmos pelo tempo passar, o primeiro número do jornal começou a ganhar forma.
Gostei daquela sensação de estar a construir qualquer coisa que podia permanecer para além de uma simples reunião.
Quando estávamos a terminar, a minha irmã apareceu para me avisar.
Tinha apenas meia hora para chegar à Academia.
Olhei para o relógio e percebi que não havia um minuto a perder.
Despedi-me do meu colega, passei por casa apenas o tempo suficiente para lanchar à pressa, pegar no saco do equipamento e correr para a paragem.
Tive sorte.
O trólei apareceu quase de imediato e, em pouco mais de quarenta minutos, deixou-me perto da Academia.
Cheguei mesmo a tempo do treino.
Quando terminou, saí logo para conseguir apanhar outro trólei.
Desta vez também não esperei muito e consegui regressar a casa mais cedo do que era habitual.
Jantei tranquilamente e, depois do jantar, fiquei algum tempo à conversa com a minha irmã.
Falámos de pequenas coisas, sem importância.
Agora que o dia terminou, penso que hoje tudo aconteceu depressa.
Corri de um lado para o outro, cumpri horários, apanhei tróleis à justa e quase não tive tempo para parar.
Mesmo assim, a ideia daquele jornal continua a ocupar-me o pensamento.
Talvez seja porque gosto de criar coisas que podem ficar.
Há dias que passam sem deixar rasto.
Outros começam discretamente a escrever o futuro, sem que nos apercebamos disso.
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