Uma porta que continua fechada
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Segunda-feira, 13 de Junho de 1977
Hoje de manhã fui para o liceu.
As aulas decorreram normalmente. Quando terminaram, almocei na cantina e vim embora.
Cheguei a casa, pousei os livros, peguei no gravador e segui para o DIFI.
Passei praticamente toda a tarde lá.
Conversei demoradamente com um colega enquanto íamos tratando de alguns assuntos do centro. Entre uma conversa e outra surgiu a ideia de fazermos uma bandeira para o DIFI.
Pareceu-nos uma boa maneira de dar mais identidade ao grupo.
Começámos a trabalhar nela.
Ele ajudou-me durante todo o processo e, pouco a pouco, a primeira bandeira do DIFI foi ganhando forma.
Quando a terminámos, ficámos ambos a olhar para o trabalho acabado durante alguns instantes.
Era apenas uma bandeira.
Mas representava um grupo onde eu ainda acreditava.
Ao fim da tarde regressei a casa.
Jantei com a família e, mais tarde, o Manel apareceu.
Conversámos um pouco, como tantas vezes acontecia.
A certa altura voltou a insistir para que entrasse para o grupo coral da igreja.
Explicou-me que eu me iria sentir bem, que encontraria um grupo de amigos e que talvez gostasse da experiência.
Ouvi-o com atenção.
Conheço bem a boa vontade com que insiste.
Mas voltei a dizer-lhe que não.
Não era uma questão de simpatia pelas pessoas.
Nem sequer de música.
Sentia simplesmente que aquele não era o meu lugar.
O Manel acabou por sorrir.
Percebeu que não valia a pena insistir mais.
Agora, enquanto escrevo estas linhas, penso que é curioso como algumas portas permanecem fechadas, mesmo quando alguém, do outro lado, faz tudo para as abrir.
Talvez um dia mude de opinião.
Hoje, porém, continuo a sentir que ainda não chegou esse momento.
Fecho o caderno.
Amanhã voltarei a escrever.
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