O Silêncio da Terra e o eco do Dia
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Sábado, 11 de Junho de 1977
Hoje levantei-me cedo.
Tomei o pequeno-almoço, li um pouco e fui dar de comer aos patos.
Gosto daqueles pequenos gestos repetidos todos os dias. Os animais não fazem perguntas, não esperam explicações e parecem viver apenas o instante presente.
Mais tarde almocei e encontrei-me com os colegas do grupo.
Seguimos juntos para o DIFI.
A tarde revelou-se uma das mais ocupadas dos últimos tempos.
Juntámos elementos do DIFI, do CRM, do grupo coral e dos fantoches para preparar um terreno onde futuramente deverá existir um campo de jogos.
Havia muito para fazer.
Uns limpavam o terreno.
Outros arrancavam ervas.
Outros transportavam pedras e ferramentas.
Durante horas trabalhámos lado a lado, cada um ocupado na tarefa que lhe cabia.
O calor fazia-se sentir e, pouco a pouco, o cansaço começou a pesar-nos nos braços.
Quando finalmente parámos para olhar o trabalho realizado, a sensação foi estranha.
Tínhamos trabalhado toda a tarde.
Mesmo assim, parecia que pouco se via.
Ainda havia muito por fazer.
Regressei a casa cansado.
Lanchei e, durante mais de meia hora, gravei uma cassete de um programa sobre OVNIs.
Era um assunto que continuava a prender-me a atenção e gostei de conseguir guardar aquele programa para o voltar a ouvir mais tarde.
Depois jantei.
Vi um pouco de televisão.
Mais tarde o Manel passou por minha casa.
Conversámos durante algum tempo, como tantas outras vezes.
Falámos de vários assuntos, sem pressa, até ele se despedir.
Agora, enquanto escrevo estas linhas, volto a lembrar-me do terreno onde passámos a tarde.
À primeira vista parecia que quase nada tinha mudado.
Mas sei que, se lá voltarmos amanhã, o trabalho de hoje já lá estará, mesmo que não seja imediatamente visível.
Talvez as mudanças mais importantes sejam assim.
Acontecem devagar.
Tão devagar que quase não damos por elas enquanto estão a acontecer.
Fecho o caderno.
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