Pelos Caminhos da Amizade

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Quarta-feira, 22 de Junho de 1977

Hoje levantei-me mais cedo do que era costume.

O meu pai precisava de ir comprar um carneiro para o almoço do dia de S. João e eu acompanhei-o. Entre a viagem, a escolha do animal e tudo o que havia para tratar, a manhã passou quase sem dar por isso. Quando regressámos, já se aproximava a hora do almoço.

Depois de comer descansei um pouco e, ao princípio da tarde, fui até casa do Manel.

Recebeu-me com a simplicidade de sempre.

Conversámos durante algum tempo e, mais tarde, resolvemos sair para passear. Não tínhamos destino marcado. Fomos caminhando pelas ruas, falando de tudo o que nos ia ocorrendo. Houve momentos em que a conversa seguia animada e outros em que o silêncio nos acompanhava naturalmente, sem que nenhum de nós sentisse necessidade de o quebrar.

Há amizades que não precisam de ser alimentadas a toda a hora com palavras.

Basta caminhar lado a lado.

Ao fim da tarde fomos até minha casa. Ficámos ainda algum tempo a conversar antes de ele regressar à dele. Combinámos voltar a encontrar-nos mais logo, nas marchas.

Jantei com a família e, já de noite, fui ter com o Manel.

Os ensaios aproximavam-se da festa de S. Pedro e o ambiente era de entusiasmo. Cada um procurava aperfeiçoar os últimos pormenores e não faltavam brincadeiras entre um ensaio e outro. Permaneci apenas algum tempo. Antes que terminassem, despedi-me e regressei a casa.

Ainda vi um pouco de televisão antes de me sentar a escrever estas linhas.

Há dias que não deixam grandes acontecimentos para recordar.

São feitos de pequenas conversas, de passeios sem rumo e da companhia de pessoas com quem nos sentimos bem.

Talvez seja por isso que, muitas vezes, passam despercebidos.

Só mais tarde compreendemos que eram precisamente esses dias tranquilos que nos iam preparando, sem alarde, para aquilo que a vida ainda tinha reservado.


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