Voltam as rotinas, volta a monotonia

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Quinta-feira, 4 de Agosto de 1977

De manhã levantei-me perto das onze horas e tomei o pequeno almoço. Depois da agitação dos últimos dias, o dia começava sem nada de especial para me prender a atenção. Talvez fosse mesmo inevitável que assim acontecesse. Quando há acontecimentos que nos ocupam muito por dentro, os dias seguintes parecem mais vazios quando regressam à sua normalidade.

À tarde fui para o DIFI e estive lá até perto das cinco. Não aconteceu nada de particularmente importante. Voltei para casa e, depois de lanchar, fiquei a ouvir música. O tempo foi passando sem que eu sentisse grande necessidade de fazer alguma coisa. As rotinas estavam de volta e, com elas, uma certa monotonia.

À noite ainda treinei. Depois de tudo o que acontecera nos dias anteriores, o treino ajudou-me a ocupar a cabeça. Mas mesmo nos momentos mais banais a Lina continuava presente nos meus pensamentos. Já não era preciso estar com ela para sentir a sua presença. Bastava lembrar-me dos últimos dias e de como a nossa relação se tinha tornado diferente.

Talvez fosse isso que tornava aquela aparente monotonia um pouco enganadora. Por fora, o dia tinha sido quase igual a tantos outros. Por dentro, eu já não estava exactamente no mesmo lugar.


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