Um encontro que começa por acaso

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Sexta-feira, 5 de Agosto de 1977

Levantei-me tarde, como começava a ser costume. Fui ver os meus morangueiros e os patos e ainda pensei em treinar, mas a ideia durou pouco. Havia dias em que até aquilo que me apetecia fazer parecia exigir mais vontade do que eu estava disposto a gastar.

Depois do almoço resolvi arrumar alguns livros. A tarefa acabou por me ocupar até às três e meia e, nessa altura, fui para o DIFI. Foi uma decisão de que depressa me arrependi. O grupo coral do CRM estava a ensaiar e tive de suportar durante algum tempo os ruídos e desafinações que atravessavam o espaço. Aguentei enquanto pude. Quando finalmente fizeram silêncio, aproveitei para sair dali.

Em casa lanchei e comecei a mexer num rádio gravador. Estava entretido com aquilo quando, às sete menos um quarto, me lembrei de que tinha combinado encontrar-me com a Lina. Fui esperá-la. Passaram-se três quartos de hora até ela aparecer. Quando chegou, acompanhei-a a casa e depois vim embora. Foi um encontro simples, mas bastou para me deixar novamente com aquela sensação que se vinha tornando habitual. A vontade de estar com ela já começava a fazer parte dos meus dias sem que eu precisasse de pensar muito nisso.

À noite fui com o Victor a casa do Manuel e depois fomos buscar a Lina. Às dez e meia, ela, algumas colegas, nós e mais alguns rapazes fomos para as festas da aldeia. Havia movimento, música e gente por todo o lado, mas eu procurei ficar junto dela. Até à meia-noite estivemos juntos e, quando chegou a altura de regressar, acompanhei-a a casa.

Depois voltei sozinho. Era estranho como, em poucos dias, os meus encontros com a Lina tinham deixado de ser acontecimentos isolados. Começavam a fazer parte da rotina e, ao mesmo tempo, a rotina já não me parecia exactamente a mesma.


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