O Início Lento das Coisas que Ficam
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Sábado, 6 de Agosto de 1977
De manhã levantei-me muito tarde, tomei o pequeno almoço, vesti-me e fiquei a ouvir música. A manhã passou sem que tivesse grande coisa para fazer e não me importei muito com isso. Depois dos últimos dias, até me sabia bem um pouco de sossego.
Antes do almoço, o Manel veio chamar-me para irmos à missa. A Lina tinha-me pedido que fosse e, embora não tivesse grande vontade, acabei por ir. Às duas horas voltei a casa para almoçar e depois fiquei a ver televisão. O Victor fez-me companhia durante algum tempo e, mais tarde, fomos para a biblioteca.
Foi aí que acompanhei a Lina ao cemitério. Não era propriamente o lugar mais alegre para um passeio, mas não me incomodou estar com ela. Ultimamente, estar com a Lina parecia ser suficiente para tornar qualquer programa mais interessante, mesmo aqueles que, noutras circunstâncias, talvez não me dissessem grande coisa. Às sete e meia voltei para casa.
À noite fui chamar o Manel e depois passei por casa da Lina. Fomos para a festa. Havia música, gente e o movimento habitual destas noites, mas eu continuei sobretudo atento a ela. Já não precisava de encontrar uma razão especial para querer acompanhá-la. Quando estamos juntos, as coisas parecem acontecer com naturalidade, sem que eu tenha de pensar demasiado no que somos ou no que poderemos vir a ser.
Pouco depois da meia-noite acompanhei-a a casa. Dei-lhe um beijo e vim embora.
No caminho de regresso fiquei a pensar que, afinal, talvez fosse isto que estava a acontecer comigo. Sem grandes decisões, sem palavras definitivas, a Lina começava simplesmente a fazer parte dos meus dias. E talvez fosse precisamente por isso que tudo me parecia tão natural.
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