Uma alegria breve

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Terça-feira, 7 de Junho de 1977

Acordei cedo e saí para o liceu à hora do costume.

Logo durante a manhã começou a correr uma notícia pelos corredores.

O passeio da turma ia ser financiado pelo liceu.

A novidade espalhou-se rapidamente e depressa se instalou um ambiente de entusiasmo entre os colegas.

Também eu fiquei satisfeito.

Havia muito tempo que esperávamos por aquela decisão e, por momentos, dei comigo a participar naturalmente na alegria dos outros.

Foi uma sensação estranha.

Como se, durante alguns minutos, tivesse conseguido esquecer o peso que me acompanhava desde o mês anterior.

As aulas terminaram perto da hora habitual.

Fui almoçar à cantina e, pouco depois, regressei a casa.

Deitei-me na cama com um livro.

Comecei a ler sem grande intenção de dormir, mas o cansaço venceu-me.

Quando acordei já passava das seis horas.

Levantei-me apressadamente, lanchei qualquer coisa e segui para a Academia.

O treino foi intenso.

Num dos exercícios magoei novamente o pé.

Não foi nada de grave, apenas uma pancada que me deixou a caminhar com algum cuidado no regresso.

Cheguei a casa, jantei com a família e recolhi ao meu quarto.

Enquanto desapertava os atacadores, reparei no pé ainda dorido.

Sorri para mim próprio.

Naquela semana parecia haver sempre qualquer coisa a lembrar-me que o corpo também sabia guardar memória dos dias.

Antes de apagar a luz, pensei na notícia do passeio.

Tinha ficado contente.

Era verdade.

Mas a alegria durara tão pouco que quase me custava acreditar que a sentira.

Foi então que percebi uma coisa.

As boas notícias continuavam a chegar.

Eu é que já não conseguia ficar muito tempo dentro delas.

Talvez fosse esse o sinal mais claro de que ainda não encontrara o caminho de regresso a mim próprio.


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