Alucinação poética
Quinta-feira, 19 de Janeiro de 1978
Oh, Lina! Como te adoro.
Há momentos em que parece não haver palavras suficientes para dizer aquilo que sinto. Posso escrever muito, posso procurar as frases mais bonitas, posso tentar encontrar uma forma diferente de dizer o que já tantas vezes disse, mas nenhuma delas parece chegar onde quero.
Um dia escrever-te-ei um hino.
Talvez seja essa a única maneira que encontro para dar forma a tudo isto que tenho dentro de mim. Um hino que seja só teu, feito de palavras que não consigam esconder aquilo que sinto. Não sei se alguma vez conseguirei escrevê-lo como o imagino, mas a vontade está cá.
E se houver alguma coisa mais que possa contribuir para a tua felicidade, pede-me.
Pede-me tudo.
Dar-te-ei tudo o que estiver ao meu alcance.
Escrevo isto e percebo como é grande aquilo que estou disposto a oferecer. Não falo apenas de coisas que possa dar ou fazer. Falo de mim, da minha presença, daquilo que sou capaz de entregar quando acredito verdadeiramente em alguém.
Talvez seja isto a minha maneira de amar, querer que a pessoa que está comigo seja feliz e sentir que, se estiver ao meu alcance fazer alguma coisa para que isso aconteça, não devo recuar.
Hoje penso na Lina assim, quase como se a realidade não fosse suficiente para conter aquilo que sinto.
E por isso lhe chamo, talvez, uma alucinação poética.
Porque há dias em que uma pessoa deixa de olhar apenas para aquilo que existe e começa a ver aquilo que deseja construir com as próprias palavras.
Hoje, essas palavras são para ela.
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