Apenas Palavras

Sábado, 3 de Dezembro de 1977

Começo a minha própria batalha contra o ódio, contra as inimizades e contra essas ideias loucas de destruição que parecem encontrar sempre qualquer justificação para existir. Não quero aceitar que a violência seja uma resposta inevitável, nem que a vontade de destruir possa ser apresentada como uma solução.

O meu instrumento de morte é, ao mesmo tempo, aquele que dá o amor. É também moderador e, de forma contraditória, acaba por ser motivo da guerra. Penso nesta contradição e não consigo afastá-la. Há qualquer coisa que me impede de ir mais longe, qualquer coisa que me prende e me obriga a parar.

Talvez seja precisamente por isso que começo esta batalha. Não quero simplesmente reagir. Não quero aceitar as coisas sem as compreender. Se não faço mais, é porque esse mesmo motivo me impede, mas isso não significa que tenha deixado de pensar.

Não quero morrer como uma besta. Quero compreender.



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